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Publicado em: 31/03/2009
Você já deve ter brincado com o jogo dos sete erros. São figuras aparentemente idênticas que guardam diferenças nos detalhes. É preciso achar o que está diverso, numa e noutra, e marcar os erros numa das figuras.
A brincadeira se sustenta na máxima de que nem sempre o que vemos é o que temos. Nossa visão geralmente não capta o detalhe. Nos acostumamos a ver, mas dificilmente enxergamos o que vemos.
Cena 1: um programa de esportes da Globo fez uma matéria para mostrar a diferença de salários entre jogadores de futebol no país. No extremo da pobreza, um jogador do Pará, que sobrevive com R$ 150,00 mensais. Na outra ponta, um craque de um grande time de São Paulo, que ganha infinitas vezes mais que seu colega. Para realizar a matéria, repórteres acompanharam um dia na vida de cada atleta. O craque passeia pelas ruas de São Paulo dirigindo seu carro importado, enquanto fala ao celular... Opa!!!!...Primeiro erro!!!
Por mais que me esforçasse em acompanhar a matéria, descobri que a televisão havia, indiretamente, flagrado uma contravenção às leis do trânsito. Comentei com as pessoas que viam a matéria a meu lado. Ninguém percebeu. Nem a Globo. Nem a polícia.
Cena 2: Luciano Hulk inventou um quadro em seu programa chamado “Lata velha”. É uma cópia do que já fazem há tempos as tvs americanas. A produção escolheu um carro caindo aos pedaços e resolve reformá-lo de cabo a rabo. O escolhido foi um vendedor de ovos, e seu carro não tem a menor condição de trafegar pelas ruas. Mas trafega, e assim garante o sustento da família. Luciano pede à polícia que o ajude a dar um susto no proprietário do veículo.
Segundo erro! Por que a polícia não apreendeu o veículo? Puniu o proprietário, conforme as leis do trânsito? Nada disso aconteceu, e o que deveria ser tratado como contravenção, virou quadro de tv. Lágrimas escorrem pelo vídeo...
Cena 3: Neste final de semana procurei regularizar o engate traseiro de meu carro. O prazo legal terminava no sábado. Tenho uma pequena carreta, que uso sempre, licenciada e emplacada no Detran, e com a ligação elétrica feita. Não consegui. Nenhuma loja possuía os equipamentos necessários para regularizar o engate.
Terceiro erro! Por que esta papagaiada toda? Por que os homens que cuidam do trânsito no país se incomodam tanto com detalhes, enquanto fecham os olhos para a contribuição nociva que a indústria automobilística causa para o aquecimento global?
Vou parar por aqui. Poderia falar do uso indiscriminado de insulfilm, das latarias velhas que trafegam sem condições, dos caminhões que circulam por grandes centros urbanos causando acidentes e paralisando a economia de toda uma cidade...
O que vemos não é o que temos. As leis não refletem o que deve ser punido e coibido. O órgão que pune não se preocupa em educar. O motorista que dirige não se preocupa em ser solidário.
Quarto erro! Vivemos no país do “salve-se quem puder”.
Há mais erros. Muitos mais. Uma pena que quem deveria cuidar do uso do dinheiro público prefere fazer vista grossa.
Por: Alexandre Pelegi
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