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Publicado em: 17/03/2008
A circulação humana é realizada no meio ambiente. O ser humano não apenas vive no ambiente, mas pertence a ele. Essa interação permite compreender a interface do ambiente, trânsito e psicologia.
O ambiente do sistema de trânsito exige do participante algumas condições psicológicas fundamentais para o convívio.
A fluidez no trânsito está cada vez mais complicada por conta do aumento significativo no número de carros que entram nas ruas diariamente, assim, é comum observarmos a falta de paciência, o stress alto e ainda o preconceito / estereótipo entre os condutores.
Entende-se por estereótipo, a imagem preconcebida de determinada pessoa, coisa ou situação.
O preconceito mais comum de aparecer no trânsito é referente ao sexo, além dos relacionados à idade, raça, tipos de condutores, como por exemplo: os taxistas, motoristas de ônibus, motocilistas, etc.
Para falar sobre o preconceito é necessário fazer uma breve análise do comportamento humano em nossa sociedade.
Cada dia mais, a mulher vem promovendo um movimento de reflexão, questionamento e resignificação de papéis cristalizados e de funções femininas, inclusive conquistando espaços, obtendo reconhecimentos que levam a uma reestruturação de sua identidade e de seu lugar no mundo.
Essa situação encontra seus fundamentos numa história de muita luta. Tal movimento revela o quanto a mulher tem transitado com desenvoltura nesses novos tempos, opondo-se a uma submissão e dependência históricas nas quais, constantemente, desempenhou uma função inferior.
É importante ressaltar que, nas últimas cinco décadas, as mulheres aparecem em número cada vez mais acentuado nos volantes brasileiros. Hoje, a mulher exerce vários papéis e tem várias jornadas a cumprir. O carro ajuda muito e, para ela, não é lazer, e, sim, instrumento de trabalho.
Refletindo, agora, sobre essa participação das mulheres no trânsito, devemos partir do princípio de que, no Brasil, as classes sociais são reflexos de uma conjuntura econômica, mas, acima de tudo, de uma realidade cultural, que reforça a submissão da mulher, cuja influência vem sendo propagada de geração em geração.
Tem-se conhecimento de que há uma ideologia que difunde um perfil feminino dócil, submisso e obediente, uma mulher dedicada apenas às funções maternas.
Essa é uma representação da dominação masculina, que tem sido apresentada como natural principalmente nas relações do trânsito.
Por outro lado, o estereótipo do macho talvez exista desde que a humanidade começou a andar ereta e nossos ancestrais do sexo masculino tiveram de esquecer o medo para disputar comida com as feras. Mais recentemente, com os novos conceitos introduzidos pela globalização, cresceu a fama que já tinham de serem ferozmente competitivos no trabalho e, por que não, também nas suas relações sociais no trânsito. Uma vez que este traz consigo o pensamento de que é muito bom, que não erra, que sabe tudo e nunca vai acontecer nada, que pode correr o bastante porque ele é homem e sabe o que faz.
Quando dizemos que os homens são competitivos e as mulheres sociáveis no trânsito, estamos exteriorizando um comportamento que é reflexo de nossa história social e familiar, e, muitas vezes, fica difícil romper essas barreiras históricas, pois essa diferença homem-mulher é introjetada em nossa sociedade. Dessa forma, fica claro que não cabe discutir quem é melhor no trânsito, mas criar um ambiente em que haja espaço para que todas as diferenças sejam respeitadas.
O veículo a motor, como qualquer outra máquina, exige que qualquer ser humano esteja qualificado tecnicamente e mentalmente para operá-lo com segurança.
Para finalizar, devemos lembrar que o trânsito é um espaço de convivência social, e para se ter harmonia e segurança neste ambiente, é necessário respeitar as diferenças entre as pessoas.
Por: Silvia Lima
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